Chat da malta

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vésperas de Internacionalização

Olá pessoal,

Em vésperas de internacinalização, quero deixar-vos aquilo que foram os meu ultimos tempos. Em primeiro, e aquilo que mais se nota para quem me vê, acabou o basket, e desde então já engordei 14Kg :P Não é mentira nenhuma é mesmo verdade, mas já tenho em marcha o movimento "Vai comer merd.. enrolada em palha seca". Bem, isto só quer dizer uma coisa, vamos ter presença de peso na bulgária :D
Este mês foi o verdadeiro pesadelo, estou $1,1K down, pelo que devo ficar apenas up cerca de $800 no compto geral, no que a poker diz respeito (promos são nuts para aumentar a banca, e quando há meses maus, são abençoadas). Este down deve-se, obviamente, à alteração de FR para SH, que iniciei com 6 tables, mas tive de reduzir mesmo depois de ajuste porque não estava a conseguir conter o down. Passei então a jogar 4 mesas, e desde aí tenho melhorado bastante. Sinto que começo a ficar mais sólido o que quer dizer que em breve começo a introduzir mais mesas nas minhas sessions, sendo que o objectivo é chegar a 8 tables, chega perfeitamente para atingir os meus objectivos, e considero que em SH já é um numero de mesas que não é certamente para todos ter profit.
Outro assunto que felizmente já posso partilhar com vocês é o facto de ter comunicado ao meu pai ( a minha mãe ainda estou a ponderar como vou abordar o assunto visto que a probabilidade de levar duas chapadas é bem elevada) a minha decisão de me tornar jogador de Poker Profissional. Sinto que a passagem deste patamar para um patamar mais elevado, prende-se apenas com uma questão de estudo conjunto, e de maior disponibilidade a nivel de tempo. Sendo que neste momento o factor banca não está de forma nenhuma em risco, muito pelo contrário, sinto que está no momento certo para dar o salto. Expliquei ao meu pai que poderia até nem conseguir concretizar este sonho mas que não morreria sem tentar. E penso que esta tem de ser a forma de levar a vida, a corrida constante atrás dos nossos sonhos independentemente do que pensam as outras pessoas ( ainda para mais quanto a este assunto que tão poucos são os que sabem ), porque se não formos nós a realiza-los, ninguém o vai fazer por nós, e a velha maxima para mim mantém-se, "mais vale uma má decisão do que uma indecisão". Let's take a shot, sabendo que a probabilidade de dar certo é muito maior do que dar errado. Digo isto apenas porque há sempre a probabilidade de as coisas não correrem bem. Felizmente, o meu pai deu-me todo o apoio, e vai ser bom para mim saber que ele entendeu a minha escolha.
Para finalizar, Bulgária está aí, e como estreia em torneios live de relevante importância e sendo que essa estreia será logo num UNIBET OPEN, o meu objectivo é modesto e passa por fazer ITM. Seria um bom começo ficar ITM, algo de que já me orgulharia :D Não por falta de ambição mas por ter reservas quanto ao que vou encontrar.
Assim vos deixo, e olha, vão acompanhando de 3 a 6 no site do unibetopen, pode ser que me apanhem na tv deles a jogar na "Feature Table"...

See u at the tables...

domingo, 2 de maio de 2010

i made it!!bulgariaa....

Bem, e depois de meia semana desgastante, confirma-se... Sou o vencedor da 4ª semana de race para o unibetopen da bulgária. A realizar-se em golden sands nos próximos dias 3 a 6 de junho. Comecei bastante mal, mas ao longo da semana fui melhorando. Assim marco presença neste evento e espero apenas que tudo corra bem. Podemos levar um acompanhante e dado k a minha namorada não pode ir, candidatem-se... estou aberto a propostas...:P

see u at the tables...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Way to Unibet Open at Bulgaria...

Cada vez mais aplicação no mundo do Poker!! Desta vez estou a fazer uma race que me dará acesso ao Unibet Open da Bulgária a realizar-se de 3 a 7 de junho. A Unibet está a realizar races semanais de sng's. O vencedor de cada semana ganha um ticket para estar present em Golden Sands no inicio de junho. O ticket inclui buy-in do torneio (1,5K€+150€), estadia de 5 noites num Hotel de 5 estrelas e ainda 350€ para despesas adicionais. Tive de fazer uma grande alteração no meu tipo de jogo já que passei a jogar sits muito mais agressivos e em grande volume. Considero que com 30% de rakeback, se ficar even será uma boa prestação já que estes sits são bastante complicados de bater.
Bem conversas à parte, o que interessa é que ao fim o primeiro dia de race tinha cerca de 2700 pontos e o 2º classificado apenas tinha 900. Para poderem comparar, eu para ter aqueles pontos todos fiz no primeiro dia aproximadamente 800 sits. he he, foi um tal de grind, por entre ups e downs (mais downs) que não tão bem a ver. O importante aqui é te ro ticket e naturalmente conseguir ficar even ou se ficar um pouco down não tem grande problema. O meu objectivo não seria participação em torneios live mas achei que seria uma muito boa oportunidade de viver um torneio deoutra dimensão (relembro que nunca sequer joguei um solverde, não só por não ter disponibilidade mas também por não achar que tenham a melhor estrutura para podermos jogar bom poker, tirando o main event mas até à data completamente fora da minha banca).
Bom, vou no fim da semana deixar-vos aqui o resultado final desta minha aventura, que se apresenta até ao momento bastante favorável para mim. Entretanto aqui fica o top 20 ao fim do primeiro dia(devido a problemas a carregar a imagem, aqui fica o link): https://pt.unibet.com/poker/leaderboards.do

See u at the tables.....

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vamos abrir os olhos quanto às listas de espera!!! Pleazzzzz.....

Meus senhores, trago-vos novamente um texto elaborado pelo DN online que retrata um dos grandes dramas em Portugal. Passo a mensagem.........

"Hospital do Barreiro - Médico Espanhol dá Cabo de Listas de Espera*

Médico Espanhol dá Cabo de Listas de Espera

Lê bem o que vem escrito a seguir e pensa bem se em Portugal não há tantos
que não querem trabalhar!
Porque é que existem listas de espera?

Em 6 dias operou tanto como 5 médicos num ano e por metade do preço cobrado na privada.
Em seis dias, um oftalmologista espanhol realizou *234 *cirurgias a doentes com cataratas no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, num processo que está a *"indignar"* a Ordem dos Médicos. Os preços praticados são altamente concorrenciais, tendo sido esta a solução encontrada pelo hospital para combater a lista de espera. O paciente mais antigo já aguardava desde Janeiro de 2007, tendo ultrapassado o prazo limite de espera de uma cirurgia. No ano passado chegaram a existir 616 novas propostas cirúrgicas em espera naquela unidade de saúde.
Os sete especialistas do serviço realizaram apenas 359 operações em 2007 (cerca de 50 por médico num ano). No final do ano passado, a lista de espera era de 384, e foi entretanto reduzida a 50 com a intervenção do médico espanhol.
A passagem pelo Barreiro durante o mês de Março - onde garante regressar nos próximos dois anos, embora o hospital não confirme - foi a segunda experiência em Portugal do oftalmologista José António Lillo Bravo, detentor de duas clínicas na Extremadura espanhola - em Dom Benito (Badajoz) e Mérida. Entre 2000 e 2003 já havia realizado 1500 operações no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, indiferente às "críticas" de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses."Eu percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca de dois mil euros", diz ao DN o oftalmologista espanhol, inscrito na Ordem dos Médicos portuguesa, que cobrou 900 euros por cada operação realizada no Barreiro.
As 234 cirurgias realizadas no Barreiro, por um total de 210 mil euros, foi o limite possível sem haver necessidade de abrir concurso público internacional, sendo que o médico fez deslocar a sua equipa e ainda o microscópio e o faco emulsificador. O hospital disponibilizou somente um enfermeiro para prestar apoio.

TOCA A PENSAR NO QUE A ORDEM DOS MÉDICOS CONTINUA A DEFENDER"

Dr. Medina Carreira: "*As pessoas precisam de entender que estão a ser burladas. O País não pode continuar a ser dirigido por trafulhas*..."

Pois bem, revelo aqui mais um pouco do meu espirito revolucionário e de critica constante quanto ao que se passa no nosso país. Pegando um pouco naquilo que é o meu caso especifico e as criticas que vem fazendo a mim e a alguns membros da nossa comunidade de Poker, EU DIGO: Senhores donos da verdade e a todos aqueles que fazem questão de a profanar(a verdade ou a sua verdade, fica ao critério), antes de incidirem as vossas criticas para aqueles que querem ser jogadores de poker, alegando que é algo desajustado e que em nada benificia a sociedade, olhem para os verdadeiros problemas do país e lutem por alterar esses. Casos destes tipo e outros muitos ainda de igual importância, tem movido em mim a revolta, e o sentido de OBRIGAÇÃO de alertar para problemas bem mais graves na sociedade do que, e bem ao nosso jeito matemático, que sejam 200 em Portugal aqueles que fazem vida do Poker. Ora nós temos neste momento cerca de 10Milhões de habitantes, isto faz uma relação de 200:10000000 o que equivale a 0,00002% da população portuesa. OMFG, e nós é que somos o problema????

See u at the tables

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Playoffs are running!!!

Pois, eu sei que a NBA já entrou na hora da verdade (e apenas como nota LA Lakers é a minha bet) mas não são esses playoffs que eu venho aqui falar. Estou a falar de algo bem mais importante, os playoffs da Proliga de Basquetebol. Chegou o momentou por que todos esperamos durante uma época, "It's Playoff time baby!!!". A nós calhou-nos os Electrico, equipa de Ponte de Sôr. Sempre nos deu bastante trabalho durante a época e playoff não vai ser excepção. Para explicar aos mais desatentos como funcionam os playoffs é simples e da forma mais entusiamante a nivel de pontos altos da época. O Campeonato disputa-se durante a fase regular para determinar quem são as primeiras 8 equipas que teram acesso aos playoffs. Uma vez nessa fase de playoff, o emparelhamento entre as 8 equipas é sempre o mesmo, ano após ano, e da forma mais justa que é possivel, 1º vs 8º , 2º vs 7º, 3º vs 6º e 4º vs 5º. As eliminatórias rolam à melhor de 5 jogos (ou seja, a primeira equipa a atingir 3 vitórias segue em frente) sendo naturalmente os primeiros 2 jogos em casa da equipa que ficou melhor classificada na fase regular, os dois jogos seguintes em casa da equipa pior classificada, e se for necessário "negra" será sempre em casa da equipa novamente melhor classificada.
Explicado está o sistema de playoffs, vou falar do nosso caso específico. Nós acabámos a fase regular no 5º lugar e naturalmente não teremos vantagem sobre o 4º classificado a nivel de número de jogos em casa. Durante a fase regular conseguimos levar sempre a melhor sobre o Eléctrico, e apesar de dificuldades, e de nós sermos dados como não favoritos devido a termos ficado "atrás" na fase regular, penso que vamos conseguir o nosso objectivo que será passar à fase seguinte. Para já, e após 2 jogos feitos nesta primeira eliminatória, cumprimos o nosso principal objectivo que seria vencer um dos dois jogos que teriamos que disputar em Ponte de Sôr. Agora os dois encontros que se seguem serão em nossa casa, onde temos oportunidade de carimbar desde já a passagem às meias finais da Proliga e defrontar o vencedor da eliminatória entre Penafiel e Angra, onde o Penafiel já leva vantagem de 2-0.
Tive um pequeno, ou não, contratempo no último jogo, ainda na primeira parte, um estiramento do ligamento externo do joelho esquerdo, o que me arredou do jogo durante alguns minutos. Naturalmente que nada me ia tirar de participar naquele jogo e mesmo com dificuldades senti-me na obrigação de "estar lá dentro" para ajudar a minha equipa. Costumamos dizer que nesta fase não há lesões, e não há mesmo... é até partir!!! Tenho até ao próximo sábado para me recuperar, será sempre impossivel recuperar totalmente porque a lesão não foi meiga, mas como a nivel de joelhos há bem piores, e como a seguir vem o verão e tenho tempo para recuperar, "que sa fod.....!!!" eu vou jogar.
Então meus senhores, a quem quiser estar presente, nos próximos sábado e domingo em Sangalhos pelas 17:30, apareçam para nos dár uma forcinha.

Abraço a todos ;)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Bad beats, suckouts, 2outers, etc.... Isso é relevante???

Meninos, parece-me que a malta anda a dar demasiada importância às más runs que por vezes aparecem. Será que um jogador regular ganhador deve perder assim tanto tempo a pensar em bad beats e tudo o que de ANORMAL nos acontece?? Se a teoria diz que o que nos dá o lucro é longrun, então temos de acreditar na matemática, porque se a longrun não fosse o mais importante então poderíamos esquecer a matemática!!! Que sentido faz basear a nossa decisão em % se a nossa amostra é apenas daquela própria mão?? Todos sabemos que a % é mais correcta quanto maior for a amostra!! (Foi só um aparte para posicionar certa malta sobre % e longrun, é que muitas vezes ouço pessoal a defender que tinham odds para dar certo call e tal... e passado 2 min estão a dizer em comentário a certa e determinada mão "epá, ganhei por isso joguei bem!!")
Depois, como todos estes conceitos estão baralhados na cabeça deste pessoal, começam a falar indefinidamente de mãos, e badbeats que levaram e tudo mais. Não existe a cultura de aceitar que assim foi e será sempre. Pode até ter sido a primeira mas não será a ultima vez que levas-te com 1outer ou algo do genero. Basta continuares a jogar que elas vão aparecer. Eu estou a tentar mentalizar todos aqueles que falam comigo diáriamente sobre poker para não falarem de mãos que perderam a não ser para tentar corrigir algum possivel erro que possam ter cometido, porque acreditem, tudo aquilo que me estão a contar já me aconteceu e não ajuda em nada a vossa evolução, pelo contrário, se pensarem nisso enquanto estão a jogar só vai desviar a vossa concentração e fazer com que tomem decisões erradas e fogem do vosso "A Game", seja ele um "A" ou um "a" :P
É claro que o problema em redor disto é sempre as cartas, coitadinhas das cartas, vejam lá bem, estão ali tão quietinhas e ainda por cima são sempre iguais. Andam de um lado para o outro a serem baralhadas e baralhadas. A mesma carta dá-nos alegria e logo a seguir profunda tristeza. E o Dealer??? Esse filho da mãe que ao baralhar pegou em 25 cartas da parte de cima do baralho para fazer o primeiro shuffle e devia ter pegado em 26 porque assim levámos uma bad beat do arco da velha... para já não falar da fábrica das cartas que se as tivesse feito um pouquinho mais grossas o dealer tinha agarrado em menos cartas e aquilo já não acontecia......E quando é o adversário que lhe chamam nomes (nesta parte eu também participo) e tudo e o desgraçado no fundo simplesmente nem sabe o fez de errado,lol..... e por ai fora.Não rapaziada, não se agarrem ao estudo e continuem a culpar as cartas e os adversários e continuarão a ter diáriamente histórias para contar. Nós podemos controlar tudo isso, ou melhor, podemos minimizar e não eliminar. Podemos agir de forma diferente consoante o adversário porque a adaptação aos conhecimentos do adversário é fundamental.
Acho que consegui alertar a malta para isto que é a minha luta, em alguns aspectos até mesmo comigo. Devido a este sentido critico, consegui melhorar bastante esta parte do meu poker, só assim evoluimos, quando achamos que jogamos muito e tudo mais, é o primeiro grande passo para não ganhar nada que se veja!!

Bejinhos e abraços e vemo-nos nas mesas...

PS: o meu irmão vai-se casar, tolo!! E eu já vou ser tio, "puto, joga aí pelo tio enquanto eu vou cagar"... isto sou eu daqui a uns tempos :P

sexta-feira, 26 de março de 2010

Opinião do DN online

Com já repararam em alguns dos meus posts, eu sou bastante critico quanto ao sistema politico instalado neste país e também um pouco por todo o mundo. Então, mais uma vez, achei que devia partilhar este artigo com vocês. Tudo começa na cabeça do cronista João César das Neves e parte do provérbio "Quando o sábio aponta a lua, o tolo só vê o dedo".
Diz assim,

"Quando o sábio aponta a lua, o tolo só vê o dedo." Este velho provérbio oriental é um excelente diagnóstico da nossa situação política, financeira, social, cultural, intelectual. O problema latente na atitude portuguesa é, há séculos, sempre criticar o mensageiro sem atender à mensagem.
O drama do consulado de José Sócrates, que monopoliza a vida nacional há muitos anos, é precisamente este. Quando surgiu no topo da cena nacional, em 2005, o sr. primeiro-ministro fez excelentes análises das nossas dificuldades, então atribuídas aos governos PSD. Mas, embora nunca deixando de criticar as mãos que o antecederam, Sócrates apontou a lua. Prometeu reformas decisivas, traçou planos ambiciosos, desafiou os instalados, apresentou coragem e iniciativa.
Em breve, porém, se notou que o Governo deixara de olhar para o céu e se centrava exclusivamente no seu próprio dedo. A questão absorvente era a imagem do Executivo, as críticas dos jornais, a permanência no poder. Multiplicavam-se os cargos nos gabinetes, projectos de favor, favores a amigos. Apesar disso, vivemos alguns tempos preocupados com as questões concretas, défice, desemprego, recuperação. Até começarem as críticas sérias ao Governo. E essas tratavam não da lua mas só do dedo.
As questões que interessavam à imprensa e oposição eram não se Sócrates governava bem mas se a sua licenciatura fora regular. A justiça nos crimes da Casa Pia e outros processos gravíssimos importava menos que o impacto disso nas lutas entre barões. A localização do aeroporto tornou-se mero joguete entre promessas e contrapromessas, esquecendo a discussão de, afinal, o que seria melhor. Só se falava de dedos.
Então, o Governo reagiu e, mais uma vez, em vez de discutir a mensagem, atacou os mensageiros. Nos vários casos, do Freeport à "Face Oculta", da TVI ao Sol, a questão não é nunca a substância da acusação mas a crítica aos métodos usados pelos acusadores. Grita-se e gesticula-se muito, mas a nuvem de suspeita permanece, porque nunca se esclareceu o fundo da questão. Até os próprios problemas da justiça não tratam de justiça, mas da própria Justiça.
Também no Orçamento para 2010 tivemos um exemplo excelente disto. O nosso défice subira muito em 2009 e, sem medidas duras, iria manter-se em 2010. Em vez de tomar essas medidas, tentou-se a esperteza saloia de empolar o valor do ano passado para poder fingir que desce este ano sem grandes custos. Se fosse só para Portugal, a coisa teria passado. O bluff falhou porque os mercados internacionais não ligam a dedos e olham sempre e só para a lua. Qual a reacção do ministério? Criticar Comissão, FMI, agências de rating e mercados. Mais uma vez trata apenas do indicador.
Infelizmente, a tolice básica ultrapassa em muito a deprimente saga política. Esta é mesmo a tradicional abordagem lusitana de insultar do árbitro em vez de chutar à baliza. Não interessa a lua, só o apito que aponta. Não é apenas no Parlamento, mas também nos cafés, que se ouve criticar a pessoa que fala como forma de responder ao que ela diz. É espantosa a quantidade de gente que acha mesmo que denegrir ou mostrar os interesses do orador basta como argumento para invalidar a veracidade e relevância do que afirma.
Na nossa vida cultural e intelectual, a evidência é a mesma. Temos poucos artistas marcantes, autores que perdurem, obras de referência. Mas existe enorme multidão de "agentes de cultura", catedráticos, investigadores, "promotores culturais", "cultos" em geral, que se exaltam e criticam mutuamente. A sua agitação gera muito calor e pouca luz. A nossa intensa vida cultural e científica raramente olha para a lua, limitando-se a comentar os dedos uns dos outros. Nos jornais é pior.
Quando em textos anteriores critiquei os intelectuais portugueses, recebi sempre o mesmo comentário inevitável: isso é também uma autocrítica. Claro que sim. Mas note-se como o comentário é típico de intelectual português: não adianta uma linha à compreensão da questão; limita-se a criticar o dedo que aponta a lua."

Fica aqui mais uma crónica sábia ;)